terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

A Conexão Entre A Ciência E A Fé



Einstein E Kardec 


Ambos os personagens históricos usaram o raciocínio em suas áreas Albert Einstein nasceu em Ulm, pequena cidade ao sul da Alemanha, em 14 de março de 1879, dez anos após o desencarne de Allan Kardec. Desencarnou em 18 de abril de 1955, no dia em que comemoramos o lançamento de O Livro dos Espíritos.


Segundo os historiadores, quando criança sofreu muito com as constantes mudanças de cidade e com as falências das empresas do seu pai.


Enfrentou o autoritarismo da escola alemã e os preconceitos raciais tão intensos naquela época.


Para a Matemática e as Ciências Naturais, ele era mais do que bem-dotado, possuidor de grande intuição e habilidade lógica; porém, para as disciplinas que exigiam capacidade de memória era um fracasso! Seus familiares acreditavam até que ele possuía algum tipo de dislexia.


Provavelmente, essa dislexia foi providencial, pois se um espírito dotado da evolução espiritual de Albert Einstein dispusesse de um cérebro sem nenhum impedimento, poderia resgatar lembranças de sua vida passada, as quais provavelmente atrapalhariam a sua missão no campo da Ciência, pois reacenderia de uma forma muito mais intensa a sua paixão pelo transcendente, com o qual, certamente, esteve envolvido toda uma vida no passado.


Essa deficiência na capacidade de memorização foi superada pela intuição, a qual possuía bastante desenvolvida.


Um espírito dessa envergadura geralmente renasce em lugares cuja cultura e costumes contribuam para que não haja uma associação com a cultura e com os cenários da vida pregressa, ficando assim livre de influências que acentuariam suas tendências, as quais poderiam levá-lo a se envolver com as mesmas questões a que se dedicou no passado.


Prêmio Nobel de Física em 1921, fugindo da Alemanha nazista, chega aos EUA em 17 de outubro de 1933, época em que se interessa por três temas: teoria da relatividade geral, teoria do campo unificado e fundamentos da mecânica quântica.


Alan Whyte e Peter Daniels, autores do livro O FBI e Albert Einstein, publicado em 2002, baseado em um dossiê secreto do FBI, revelam uma campanha de 22 anos de espionagem e calúnias do FBI contra Albert Einstein.


Segundo esse dossiê, sua vida esteve constantemente sob a vigilância do FBI, que não queria que o mesmo viesse conquistar popularidade entre os norte-americanos, pois suas idéias pacifistas, anti-raciais e humanistas não se enquadravam à política adotada pelo governo americano.


O esforço para denegrir a imagem do sábio cientista foi muito acirrado; o fracasso do seu primeiro casamento contribuiu para que lhe atribuíssem atos e afirmações que não condiziam com a sua conduta e com o seu caráter.


Temos de considerar que na história dos grandes homens sempre surgiram boatos construídos nos celeiros da inveja e da vaidade humana, prática comum aos adversários do sucesso alheio. Também é muito comum a construção do mito por parte dos apaixonados.


Todavia, biógrafos como Abraham Pais (que privou da sua amizade), Gerald Holton, Jürgen Renn, Robert Schulmann e Phillip Frank constituem fontes fidedignas, a partir das quais podemos repor a verdade histórica.


Seu suposto envolvimento com a bomba nuclear foi uma das maiores controvérsias geradas pela imprensa para denegrir a imagem desse maravilhoso homem de ciência.
Sua participação na construção da bomba nuclear se iguala à dos filósofos da antigüidade que falavam da existência do átomo e também se iguala à dos cientistas do início do século XIX, que estabeleceram as leis do eletromagnetismo, fundamentais para o estudo das interações nucleares.


Poucos se ocuparam de estudar Einstein o Homem, cujo exemplo traz à baila um trabalho, talvez mais importante do que o de Einstein o Cientista.


Sua fé raciocinada revelou durante toda a sua vida uma religiosidade genuína e uma integração cósmica com a realidade que transcende a diminuta realidade em que vivemos, por isso afirmou:“Existe uma coisa que a longa existência me ensinou: toda a nossa ciência, comparada à realidade, é primitiva e inocente; e, portanto, é o que temos de mais valioso.”


Embora sua origem, não se prendeu à ortodoxia judaica. Sua visão de realidade ampliada lhe permitiu enxergar e reconhecer os valores filosóficos e científicos contidos nos conceitos cristãos, levando-o a afirmar: “Os mais elevados princípios para nossas aspirações e juízos nos são dados pela tradição religiosa judaico-cristã.


Trata-se de uma meta muito elevada que, com nossos parcos poderes, só podemos atingir de maneira muito insatisfatória, mas que dá um sólido fundamento às nossas aspirações e avaliações.


Se quiséssemos tirar essa meta de sua forma religiosa e considerar apenas seu aspecto puramente humano, talvez pudéssemos formulá-la assim: “desenvolvimento livre e responsável do indivíduo, de modo que ele possa por suas capacidades, com liberdade e alegria, se colocar a serviço de toda a humanidade.”


Percebe-se na vida desse extraordinário cientista uma preocupação com os valores do espírito, levando-o a um esforço muito grande para aproximar a Ciência da Religião: “Ora, ainda que os âmbitos da Religião e da Ciência sejam em si claramente separados um do outro, existem entre os dois fortes relações recíprocas e dependências.”


Embora possa ser ela o que determina a meta, a Religião aprendeu com a Ciência, no sentido mais amplo, que meios poderão contribuir para que se alcancem as metas que ela estabeleceu. A Ciência, porém, só pode ser criada por quem esteja plenamente imbuído da aspiração da verdade e do entendimento. A fonte desse sentimento, no entanto, brota na esfera da Religião.


A esta se liga também a fé na possibilidade de que as regulações válidas para o mundo da existência sejam racionais, isto é, compreensíveis à razão. Não posso conceber um autêntico cientista sem essa fé profunda. A situação pode ser expressa por uma imagem: “a ciência sem religião é aleijada, a religião sem ciência é cega.” Um conflito surge, por exemplo, quando uma comunidade religiosa insiste na absoluta veracidade de todos os relatos registrados na Bíblia. Isso significa uma intervenção da religião na esfera da ciência; é aí que se insere a luta da Igreja contra as doutrinas de Galileu e Darwin.


Por outro lado, representantes da Ciência têm constantemente tentado chegar a juízos fundamentais com respeito a valores e fins com base no método científico, pondo-se assim em oposição à Religião. Todos esses conflitos nasceram de erros fatais.


“Se um dos objetivos da Religião é libertar a humanidade, tanto quanto possível, da servidão dos anseios, desejos e temores egocêntricos, o raciocínio científico pode ajudar a Religião em mais de um sentido.”


Percebe-se claramente em seus conceitos uma profunda preocupação em dilatar as fronteiras da Fé e da Ciência, procurando despertar em ambas uma visão em torno do que transcende às acanhadas fronteiras estabelecidas pela vã cultura humana.


Sua transcendência lhe permitia uma integração prática com a realidade cósmica, demonstrando um grau bastante elevado de espiritualidade; isso fica patente quando afirma:“Penso noventa e nove vezes e nada descubro; deixo de pensar, mergulho em profundo silêncio e eis que a verdade se me revela.”


Essa característica se consolida quando se refere aos companheiros que se aventuraram a transpor essas limitadas fronteiras:“É nessa busca da unificação racional do múltiplo (aqui se refere ao transcendente) que a Ciência logra seus maiores êxitos, embora seja precisamente essa tentativa que a faz correr os maiores riscos de se tornar uma presa das ilusões.


Mas todo aquele que experimentou intensamente os avanços bem-sucedidos feitos nesse domínio é movido por uma profunda reverência pela racionalidade que se manifesta na existência.


Através da compreensão, ele conquista uma emancipação de amplas conseqüências dos grilhões das esperanças e desejos pessoais, atingindo, assim, uma atitude mental de humildade perante a grandeza da razão que se encarna na existência e que, em seus recônditos mais profundos, é inacessível ao homem.


Essa atitude, contudo, parece-me ser religiosa, no mais elevado sentido da palavra. A meu ver, portanto, a Ciência não só purifica o impulso religioso do entulho de seu antropomorfismo, como contribui para uma espiritualização religiosa de nossa compreensão da vida.”


O interessante é que nas observações e conceitos desse gênio da ciência surge uma incrível semelhança com os conceitos espíritas. Dá-nos a impressão de que ele os conhecia, ao menos de forma intuitiva.


Suas afirmações e a sua visão de mundo são muito parecidas até mesmo na forma com que desenvolve os seus pensamentos.


Vejamos alguns dos pensamentos de Einstein e de Kardec sobre a fé:
Kardec: “Fé inabalável só o é a que pode encarar frente a frente a razão, em todas as épocas da Humanidade.” Einstein: “Pois uma doutrina que não é capaz de se sustentar à “plena luz”, mas apenas na escuridão, está fadada a perder sua influência sobre a humanidade, com incalculável prejuízo para o progresso humano.”


A linha de raciocínio seguida pelo pensamento de ambos é algo realmente surpreendente, principalmente pelo fato de exercerem atividades em campos diferentes.


Vejamos o pensamento desenvolvido por ambos sobre como reconhecer um criador:
Kardec: “Lançando o olhar em torno de si, sobre as obras da Natureza, notando a providência, a sabedoria, a harmonia que presidem a essas obras, reconhece o observador não haver nenhuma que não ultrapasse os limites da mais portentosa inteligência humana.


Ora, desde que o homem não as pode produzir, é que elas são produto de uma inteligência superior à Humanidade, a menos se sustente que há efeitos sem causa.”


Einstein: “A religiosidade de um sábio consiste em espantar-se e extasiar-se diante da harmonia das leis da natureza, revelando uma inteligência tão superior que, todos os pensamentos humanos e todo seu talento, não podem desvendar. Esse sentimento desenvolve a regra dominante da sua vida, de sua coragem, na medida em que supera a escravidão dos desejos egoístas.”


Kardec revela a lei de causa e efeito atuando sobre a vida humana.
Einstein a define de forma muito peculiar aos sábios: “A vida é como jogar uma bola na parede: se jogar uma bola azul, ela voltará azul; se jogar uma bola verde, ela voltará verde; se jogar a bola fraca, ela voltará fraca; se jogar a bola com força, ela voltará com força. Por isso, nunca “jogue uma bola na vida” de forma que você não esteja pronto a recebê-la. A vida não dá, nem empresta; não se comove, nem se apieda. Tudo quanto ela faz é retribuir e transferir aquilo que nós lhe oferecemos”.


Vimos também como ele elegeu a tradição cristã como meta a ser alcançada pela humanidade. Vejamos como se manifestou o Espírito de Verdade no livro Obras Póstumas a respeito de como Kardec deveria proclamar a Doutrina Espírita:
“Eis que a hora se aproxima em que será preciso declarar abertamente o Espiritismo por aquilo que ele é, e mostrar a todos onde se encontra a verdadeira doutrina ensinada pelo Cristo; a hora se aproxima em que, diante do céu e da Terra, deverás proclamar o Espiritismo como a única tradição realmente cristã, a única instituição verdadeiramente divina e humana.”


Com certeza, a prática cristã raciocinada e liberta dos conceitos equivocados, e tão sonhada por Einstein e Kardec, tende a se consolidar na prática do Espiritismo-Cristão.


Diante dessas comparações, faço uma pergunta: será que ele teve contato com o conhecimento espírita? Isso não posso afirmar, mas, uma coisa é certa: se não teve enquanto encarnado nesta sua última existência, deve ter tido em outra, onde se preparou para realizar tão importante obra.


No meu ver, com o trabalho desenvolvido em torno da Energia, ele estabeleceu no cenário científico a incontestável hipótese de que existe uma força intangível atuando sobre a Energia, imprimindo nela a condensação que estabelece a ponderabilidade das formas. Ainda uma outra coisa se torna patente: ambos trabalharam na mesma obra:
Albert Eisntein atuou na ciência sem se descuidar da importância do transcendente; Allan Kardec trabalhou o transcendente sem se descuidar da importância da ciência. Com isso, construíram um caminho para o encontro da Ciência com a Fé.


Allan Kardec foi o cientista da alma, Albert Einstein deu alma à ciência!
Essas duas admiráveis personalidades trabalharam animadas pelo mesmo espírito de compreensão, almejando o mesmo objetivo: contribuir para desenvolver nos corações humanos uma religiosidade genuína, fundamentada no conhecimento mais amplo e mais profundo da natureza humana.


É inegável que marchamos para o desenvolvimento de uma religiosidade cósmica resultante do encontro da ciência com a fé, o qual trará à lume a natureza espiritual do ser humano e o reconhecimento do Grande Autor das maravilhas do Universo.


O conhecimento espiritual de que dispomos, nós espíritas, reveste-nos da intransferível responsabilidade de estruturarmos nossos celeiros da fé raciocinada despidos do ranço remanescente das religiões dogmáticas e mesmo do ranço acadêmico, entendendo que, enquanto a Ciência prepara as inteligências para esse inevitável encontro, a nós, espíritas, compete prepararmos os corações para essa nova era que se aproxima.


Bibliografia:
• “Ciência e Religião” (1939-1941) - Págs. 25 a 34. Einstein, Albert, 1870-1955 Título original: “Out of my later years.”
• Escritos da Maturidade: artigos sobre ciência, educação, relações sociais, racismo, ciências sociais e religião. Tradução de Maria Luiza X. de A. Borges - RJ: Editora Nova Fronteira, 1994.
• “Einstein & Kardec” – A Conexão Entre a Ciência e a Fé – Nelson Moraes – Editora Aulus Ltda. – SP - SP.
Ps.: Os conceitos aqui emitidos não expressam necessariamente a filosofia FEAL, sendo de exclusiva responsabilidade de seus autores.

05/02/2007

Nelson Moraes

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